Quando uma criança recebe um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma das primeiras dúvidas das famílias é:
qual abordagem terapêutica é a mais adequada?
Entre as mais citadas estão ABA, TCC, Modelo Denver e Integração Sensorial. Apesar de todas serem usadas no contexto do desenvolvimento infantil e do autismo, elas têm objetivos, fundamentos e formas de aplicação bastante diferentes.
Este artigo explica, de forma clara e comparativa, o que é cada abordagem, para quem é indicada e quais são suas principais diferenças.
1. ABA – Análise do Comportamento Aplicada
O que é?
A ABA (Applied Behavior Analysis) é uma abordagem baseada na ciência do comportamento. Seu foco é ensinar habilidades e reduzir comportamentos que dificultam o desenvolvimento, utilizando princípios como reforço positivo, repetição e análise funcional do comportamento.
Como funciona?
- O comportamento da criança é observado, medido e analisado
- As habilidades são ensinadas em pequenos passos
- Comportamentos adequados são reforçados
- Intervenções são individualizadas e baseadas em dados
Principais objetivos:
- Desenvolver comunicação
- Melhorar habilidades sociais
- Aumentar autonomia (alimentação, higiene, rotina)
- Reduzir comportamentos desafiadores
Para quem é mais indicada?
- Crianças com TEA, especialmente na primeira infância
- Casos que exigem intervenção estruturada e intensiva
Pontos fortes:
✔️ Forte embasamento científico
✔️ Resultados mensuráveis
✔️ Estrutura clara para pais e profissionais
Limitações:
⚠️ Pode ser vista como muito estruturada se não for bem aplicada
⚠️ Depende muito da qualidade do profissional
2. TCC – Terapia Cognitivo-Comportamental
O que é?
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem da psicologia que trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos.
Diferente da ABA, a TCC exige maior capacidade verbal e cognitiva.
Como funciona?
- Identifica pensamentos disfuncionais
- Trabalha estratégias para lidar com emoções
- Desenvolve autorregulação emocional
- Ensina habilidades sociais e de enfrentamento
Principais objetivos:
- Reduzir ansiedade
- Trabalhar medos, frustrações e rigidez cognitiva
- Melhorar habilidades sociais
- Desenvolver autocontrole emocional
Para quem é mais indicada?
- Crianças mais velhas, adolescentes e adultos com TEA
- Pessoas com boa comunicação verbal
- Casos com ansiedade, depressão ou dificuldades emocionais associadas
Pontos fortes:
✔️ Excelente para saúde emocional
✔️ Ajuda na compreensão das próprias emoções
✔️ Muito eficaz para ansiedade no TEA
Limitações:
⚠️ Não é indicada para crianças pequenas
⚠️ Pouco aplicável em TEA com grande comprometimento verbal
3. Modelo Denver (ESDM – Early Start Denver Model)
O que é?
O Modelo Denver é uma abordagem naturalista e desenvolvimentista, voltada para crianças pequenas com TEA (geralmente de 1 a 5 anos).
Ele integra princípios da ABA, mas de forma lúdica, afetiva e baseada em brincadeiras.
Como funciona?
- A aprendizagem acontece durante brincadeiras e interações naturais
- O terapeuta segue o interesse da criança
- Pais são parte ativa do processo
- Ênfase no vínculo social e emocional
Principais objetivos:
- Desenvolver comunicação verbal e não verbal
- Estimular interação social
- Promover aprendizagem de forma natural
- Fortalecer o vínculo entre adulto e criança
Para quem é mais indicada?
- Crianças pequenas recém-diagnosticadas
- Famílias que buscam uma abordagem mais natural e menos estruturada
Pontos fortes:
✔️ Muito respeitosa ao desenvolvimento infantil
✔️ Envolvimento ativo dos pais
✔️ Base científica sólida
Limitações:
⚠️ Menos indicada para crianças mais velhas
⚠️ Pode não ser suficiente sozinha em casos mais complexos
4. Integração Sensorial
O que é?
A Integração Sensorial é uma abordagem da Terapia Ocupacional, focada em como o cérebro processa os estímulos sensoriais (som, toque, movimento, luz, cheiro, etc.).
Muitas crianças com TEA têm hiper ou hipossensibilidade sensorial.
Como funciona?
- Atividades que estimulam os sentidos de forma controlada
- Brincadeiras com balanços, texturas, pressão, movimento
- Organização do ambiente sensorial
- Ajuda a criança a responder melhor aos estímulos do dia a dia
Principais objetivos:
- Reduzir sobrecarga sensorial
- Melhorar autorregulação
- Aumentar foco e atenção
- Facilitar a participação em atividades diárias
Para quem é mais indicada?
- Crianças com dificuldades sensoriais evidentes
- Crianças que apresentam agitação, evasão ou crises sensoriais
Pontos fortes:
✔️ Melhora conforto e bem-estar
✔️ Ajuda na regulação emocional
✔️ Importante complemento terapêutico
Limitações:
⚠️ Não ensina habilidades cognitivas ou sociais diretamente
⚠️ Geralmente deve ser combinada com outras abordagens

Deixe um comentário